12 de mar de 2006

RON MUECK

 

Odeio forwards. Faco a gentileza de abrir alguns em consideracao a pessoa que os enviou ou, se de bom humor, o titulo for sugestivo. Mas nesse domingo chuvoso, sem a possibilidade de ir ao pic-nic, resolvi conferir a mensagem reencaminhada da Elke, que vinha com o nome de cultura. Me deparei entao com a obra de Ron Mueck e cheguei a duvidar que as esculturas ali apresentadas nao seriam fotografias, tao perfeitas em suas imperfeicoes em situacoes tao... humanas. Corri no Google, adoro fazer isso, e digitei rapidamente o nome do australiano. Visitei as galerias e museus onde se encontram as pecas monumentais de Ron Mueck. Parecia que elas vinham assim aos montes, correndo na contramao da estrada onde desfilam os rostos e corpos perfeitos das propagandas. Fiquei a margem, olhando estupefada. Achei corajoso, genial, polemico, simples, para nao sem falar da tecnica, mas isso fica para os criticos de arte. Me vi em cada um daqueles instantes, tao cotidianos,tao provaveis, tao modernidade, tao ocidentais, tao ... Vi as fotos dos visitantes que olhavam maravilhados quando nao assustados para a peca ali disposta, como um grito. Um grito que dispensa qualquer palavra, explicacao, analise. Nao que alguem nao tenha se atrevido a faze-lo, mas fica tudo assim meio pequeno diante do impacto da imagem em nossa alma, tantas vezes errante, pequena, alimentada de Prozacs, maquiagem e toda sorte de inibidores, tao bem retratada por Mueck. Paradoxalmente, usando silicone, plastico e outros artefatos, as pecas, armaduras ocas, expoem o que nao se pode ver em nos, momentos que voce reconhecera com propriedade, quer voce os tenha vivido ou nao.

Depois disso, me resta fazer o que odeio ainda mais do que receber os tais forwards: reencaminha-los aos melhores amigos. Valeu, Elke!

Se quiser ver mais fotos sobre a obra do artista:

http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda022006a.htm

http://images.google.com/images?q=ron+mueck&hl=en&lr=lang_pt&sa=N&tab=ii&oi=imagest

Um comentário:

Anônimo disse...

Adri, nao acredito que conseguiu matar aquela planta que sobrevive até quase sem água, mas neve, também já é demais! Será que o seu inconsciente nao quer plantas para provar que gosta mesmo é de gente???? Um dia verá que plantas e humanos podem viver em harmonia!
beijos,
Mana