29 de abr de 2006

PROM



Quando a gente pensa que já sabe tudo desta cultura, aparece mais uma coisinha pra aprender. E agora com filho terminando a High School, tem surgido novidades mil. A de hoje foi a festa do Prom, celebração que marca o fim de uma maratona de pelo menos 12 anos de estudos. Prom é abreviatura da palavra promonade, uma referência as danças formais do fim do século XIX. As primeiras festas deste tipo tiveram início nos anos 20 e nos anos 30 já eram bem comum em todo país. Claro que nada se compara a superprodução organizada nos dias de hoje, mas mantêm uma certa similaridade. Sabe-se que os jovens daquela época eram incentivados pelos pais e professores a comparecerem ao evento, a fim de desenvolverem habilidades sociais. A festa se dava no ginásio da escola, decorado com simplicidade e metros e metros de papel crepom colorido. Rapazes de paletó e moças em roupa de domingo jantavam juntos no fim da tarde e então dançavam com desenvoltura no salão. Claro que antes disso, os então convivas teriam enfrentado seus medos e insegurança, assim como os jovens de hoje, e também seus desejos, por vezes secretos, na busca do seu par ideal. Muitas vezes o baile era apenas um pretexto para que uma paixão recolhida finalmente viesse à tona. Tarefa impossível para os mais tímidos, esta era, e continua sendo, a parte mais difícil, mas não a única, nem a última. Hoje, convite aceito, muito há a ser feito e gasto até a chegada do grande dia. Na verdade, a indústria do Prom faz gerar milhões de dólares com a venda de vestidos cor de rosa, sapatos de saltos enormes, bouquet de flores naturais, paletós e fraques elegantes, quilos de maquiagem, laquê de cabelo, gel, limousines luxuosas e muito, muito brilho. E no meio de toda briga das americanas por igualdade, ainda se espera que os rapazes se responsabilzem pelos custos com as flores, o jantar, o transporte e as fotos de estúdio. É o preço, quase sempre bem alto, que pagam para dançar com a Cinderela de seus sonhos. Dizem as más linguas , que é mais ou menos uma amostra do que viverão dali pra frente caso, ao soar das doze badaladas, ao invés de correr, elas decidam não sair mais do seu pé.




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28 de abr de 2006

Sonhos



De tanto sonhar o mesmo sonho, às vezes não acredito mais nele. Fica assim meio embassado, mas não necessariamente desgastado. Acho que isso não, os sonhos têm essa vantagem, não se desgastam. Mas quando um sonho demora muito pra se realizar, melhor dar um tempo, fingir que nem vê, ou melhor, que nem sonha. Então ele acaba vindo.Os sonhos, alguns deles, vêm de mansinho, são gentilíssimos, gostam de surpreender.

Tem também os sonhos que a gente nem quer que se realizem, só pra ficar acalentando os mesmos ao longo da vida, até porque, uma vez realizado, lá vai você ter que pensar em outro rapidinho. E nem sempre a gente tem um sonho melhor pra colocar no lugar do que se realizou. Você fica alegre, mas vazio de sonho.

Há algum tempo eu tenho sonhado uma porção de sonhos de uma vez e nem consigo perceber o que estou sonhando. Sonho pra mim, sonho pros filhos, pros amigos, pra família... E assim, tem sempre um sonho ou outro se realizando.

Esta semana foi a vez do Filipe. O sonho dele, que também era meu (sim, tem aquela estória de "sonho que se sonha junto"..) se tornou real, ou melhor, possível. Estudar na University of Kentucky era há alguns meses um sonho. Um sonho caro e aparentemente inacessível, senão não era sonho. Mas de olhos bem abertos a gente decidiu apostar nele. Este tipo de sonho é aquele que a gente quer que aconteça, pois outros sonhos subseqüentes já estão sendo sonhados. Não vou dizer que foi fácil, o que preenchemos de papel não foi brincadeira. Daí foi uma longa espera. E, quando eu pensei que recebemos o bastante, nem percebi que não tínhamos tudo. Tenho essa mania de me conformar com pouco, com uma parte. Felizmente os deuses não me levam a sério e acabaram trazendo o sonho inteiro.

Não sei o que Filipe vai levar das coisas que lhe ensinei em sua bagagem, quando for para a UK em agosto, mas se tiver aprendido a sonhar, já me dou por satisfeita.
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27 de abr de 2006

Backyard



Minha alma de passarinho não resiste a um mergulho e prefere os quintais aos jardins.

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25 de abr de 2006

Benditas Sejam as Coisas que não Existem



Andei mexendo em umas caixas, tenho mania de guardar papéis, principalmente se trazem algo de memorável, como desenhos infantis. Eles sempre me remetem a um certo espaço de tempo, que muitas vezes não sei precisar quando. Mas isso não importa, acabo me perdendo no labirinto das horas e me divirto quando não consigo achar a saída. Foi então que encontrei meu pai e minha mãe em uma folha de papel de caderno. Pude perceber os traços de minha filha por cima daquelas linhas de um azul bem clarinho. Desde que chegou na América, quando está sentindo falta de alguém, Dani costuma trazer para perto o sujeito da saudade, com o simples deslizar de um lápis. Uma vez a encontrei dormindo abraçada com o pai, os avós e alguns amigos chegados, todos juntos no mesmo papel. Tive que fazer força para controlar as lágrimas, sou meio fraquinha para cenas do tipo, ainda mais no mundo real. Pois bem, desta vez ela retratou o avô, como sempre sentado em seu escritório, jornais sobre a mesa, TV ligada, pijaminha de botões. Pude ver também a avó, com um sorriso largo, mãos para cima e jeito de quem faz festa. Compôs o cenário com árvores semelhantes as que faziam sombra no jardim da casa deles há algum tempo atrás e podiam ser vistas através da janela grande de vidro. Eu que estava tão abatida com o fato do meu pai estar internado em um hospital e por me sentir impotente estando aqui tão distante, tive que me render a lógica da Dani. Me coloquei frente a tela do computador e resgatei as histórias que ele me contava quando eu ainda cabia em seus braços. Viajei nas asas do Cavalinho Misterioso e a primeira coisa que fiz foi tirar meu pai, Quinzito, daquela cama fria de hospital para darmos uma volta no país das coisas que não existem. Lá me disseram que se a gente quiser ver o que não existe vai ter que fechar os próprios olhos para que a imagem finalmente surja. Daí pude ver claramente meu pai e minha mãe saltando daquele desenho que ainda tinha nas mãos. Mas desta vez nem tentei reter as lágrimas. Porém, pude ouvir o Rubem Alves a sussurrar em meu ouvido a pergunta do poeta francês Paul Valéry: "Que seria de nós sem o socorro do que não existe?"

19 de abr de 2006

O Vizinho de Novo

Há quem diga que a grama do vizinho é sempre mais verde, pois eu acrescentaria que as tulipas que ele cultiva são também mais, muito mais, bonitas. É bom frisar que não há o minímo efeito especial na foto, as flores são cópia fiel do jardim da casa da frente. Você há de concordar que as tais flores parecem feitas de tecido aveludado, mas são vivinhas, juro. E estas quatro não são as únicas que o vizinho ostenta, existem outras tantas, todas enfleiradas contra o muro. Aposto que ele usou régua e tudo quando colocou as sementes na terra com seu dedo pra lá de verde. Morro de inveja, já falei. E fico a me perguntar quando foi que o camarada plantou as tais sementinhas, pois até agora ainda me encontro confusa com a mudança de temperatura, ora frio, ora calor... sem falar nos torós repentinos, nas ameaças de tornados. Já ouvi falar que ele começou cedo, desde outubro passado, no outono. Até as plantas obedecem a uma programação rígida, pelo menos por aqui. E elas sabem direitinho quando devem dar o ar de sua graça. Acho que vai levar um tempo para eu me acostumar com isso. Mal chegou a primavera e os americanos já estão se preparando para o verão. E não é só de flores e sementes que estou falando. O guarda roupa deles já está abarrotado de shorts e sandálias, chapéus e protetores solar. As roupas em tom pastel, que celebram a primavera, já estão em promoção nas lojas e ningúem dá mais quase nada por elas. Olhando assim, pareço mais com os bombeiros da cidade, sempre alertas aos chamados emergenciais, apagando incêndios aqui e ali...sem programação certa para o dia de amanhã. Afinal, por aqui ninguém arranjou ainda um jeito de prever se a casa vai pegar fogo ou se seu gatinho vai ficar preso no telhado. Mas por isso mesmo, os meus conterrâneos deixam centenas de dólares nas companhias de seguro. Na terra dos planejamentos estratégicos, melhor pagar para não ver, just in case.

Foto by Marcus Resende
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18 de abr de 2006

Dias Iguais

Há dias espero por um pássaro azul para me contar algo surpreendente que me tire do sério, me faça rir por segundos que sejam. Um pássaro daqueles que nos conta coisas que ninguém sabe e nos enche os olhos com um brilho ímpar, nunca experimentado. Mas os pássaros dessa categoria andam sumidos por essas bandas e os dias parecem todos iguais. Talvez eu devesse dar ouvidos ao passarinho vermelho, lindo, que anda rondando meu quintal.

Foto by Marcus Resende Posted by Picasa

11 de abr de 2006

Saüdade

Primeiro vieram as desculpas, o teclado que não estava configurado nos moldes brasileiros, a falta de costume em acentuar as palavras em inglês. Depois veio a preguiça propriamente dita e, enfim, a acomodação. Nos últimos cinco anos tenho me divertido em transgredir as normas ortográficas e ignorado as leis de acentuação. Também, fora isso, não tenho tido muitas chances de exercitar meu lado rebelde, ao contrário, tenho seguido a cartilha a risca, como uma boa menina que faz o tipo orgulho da família. Claro que também estava me valendo da falta de formalidade que reina no mundo virtual. Os acentos são de fato prescindíveis no dialeto dos internautas natos. Mas agora aqui estou eu, me esforçando para colocar os pingos nos is, para não falar da cedilha, acentos e , se bobear vai até trema e ponto e vírgula. Você há de perguntar porque enfim cedi aos apelos da última reforma ortográfica, datada de 1971, que por sinal anda sempre as voltas com a possibilidade de ser mais uma vez revista. Nem eu sei ao certo, talvez assaltada por uma nostalgia ou vontade de me diferenciar. Eu explico. Semana passada pude testemunhar minha sobrinha, que aqui se encontra, se deliciar com um email do avô que escreveu a palavra amor com acento cincunflexo. Sim, amôr. Ela achou tudo muito interessante e descobriu que o avô já era homem feito quando teve que lidar com amor sem acento, tarefa não muito fácil, considerando a possibilidade de, quando garoto, ter escrito amôr pelo menos trezendas vezes, enquanto estudava para o ditado. Mas descobrimos que não foi este seu único desafio. Também teve que lidar com a saudade sem trema. Embora facultativo, àquela época havia quem escrevesse saüdade, só para indicar a presença de um hiato na palavra. Nada mais justo e apropriado. Embora livre do trema, saudade vai sempre carregar a idéia de um hiato imenso entre partes que habitam mundos diferentes. Quem sabe um dia meus netos venham a achar engraçado o fato de que a avó usou no blog, por puro descuido, palavras acentuadas. Antes disso, na próxima reforma ortográfica, vou sugerir um retrocesso, saudade com trema faz muito mais sentido.

Imagem: http://www1.instit-st-jo.asso.fr/p-jalvarez/foucauld/docPhotosClasses.shtm

Arroz, Feijão e Farofa

Vou ter que citar minha mãe novamente, mas a danada tem umas frases inesquecíveis e que costumam causar um forte impacto em minha rotina. Não sei de onde ela tirou todo o seu repertório, mas até hoje vivo a repetir algumas pérolas, que vão passando para a nova geração. Uma das mais comentadas é a célebre "come que teu mal é fome". Dita por ela, algumas vezes trazia um certo tom de provocação, porém vinha sempre acompanhada de um delicioso prato de comida, o que contribuia para amenizar o que queria dizer nas entrelinhas. E não é que dava certo? Difícil contar as vezes em que uma lasanha suculenta curou algumas crises existenciais, dores de cabeça e desilusões amorosas. Ou ainda, o quanto contribuiu um bobó de camarão na tomada de decisões importantes. Porém, nada mais eficaz que feijao, arroz e farofa, junto a um bom bife acebolado. Ah, esta mistura curava todo e qualquer distúrbio, daqueles que habitavam o espírito à fome propriamente dita. Ainda hoje me utilizo da mesma estratégia junto a família e amigos. Quando sinto que a maré não está pra peixe, que tem alguém precisando de apoio, um conselho, um afago que seja, vou correndo pra boca do fogão. Ali vale tudo na preparação do medicamento. Mas é bom não perder tempo com paliativos como hot dogs e nem com comidas semi prontas, sejam desidratadas e distribuídas em caixas ou mesmo congeladas. Posso garantir que não causam o menor efeito sobre os males da alma. Posted by Picasa

7 de abr de 2006

Sugestoes do Primo Chato

Eu não sei você, mas eu tenho um primo chato que, pra começar, nasceu primeiro e por isso acha que sabe de tudo. Porém, tenho que explicar que ele não é primo de verdade, se fez primo através do amor incondicional entre nossas famílias. Mas nao me lembro de um primo de verdade que eu tenha amado mais do que o amo.

Pois bem, o primo chato é tambem um charme e é , até hoje, o meu ex futuro marido preferido. Mas, ao contrário do que parece, não brincamos juntos de médico, pique-esconde, nem de pera, uva ou maçã, como a maioria dos primos que se prezam. Digamos que nutrimos uma admiração real em um cenário pra lá de virtual, se é que este tipo de conceito faz algum sentido.

Agora o tal priminho vem me dar algumas dicas sobre o textos do blog. Ébom frisar que fui eu que pedi e quando o fiz sabia mesmo que teria muito trabalho pela frente. Ficar calado é que ele não ficaria, além do que, estava certa de que usaria seu vasto conhecimento em toda e qualquer área para tecer a critica. Não que eu esteja arrependida, ao contrário. O cara é bom mesmo e generoso, mas deixa a gente pensando no que falou por dias a fio. Então, calçadinha nas sandálias da humildade, estou aqui a traçar estratégias para dar o primeiro passo em direção ao que o primo sugeriu.

Pra começar, disse que eu tinha que escrever pensando na pessoa que estava a ler o texto, parece que tenho insistido na mensagem codificada, dirigida apenas a meia dúzia de testemunhas de minhas aventuras. Confesso que não é a primeira vez que escuto isso, um amigo andou comentando que não conseguia entender algumas referências em certas passagens. Até aí tudo bem, vou procurar me explicar melhor, mas ainda tem a segunda dica, tarefa bem mais complicada.

Disse ele que eu teria que aprender a ler meus textos com olhos virgens, como se não tivessem sobrevoado aquelas linhas um dia. Como tornar virgens olhos saturados de tantas idéias, minhas, dos outros ? Tarefa corriqueira para os grandes escritores, ele disse, questão que requer prática. Sim, grandes escritores, foi o que falou, habilidade que se conquista, insistiu em um tom de futuro mais -que- perfeito. Senti uma ponta de orgulho e logo depois de confiança, seguida de um sopro de esperança. É assim que o primo chato me faz crescer. Estou começando a achar que ele não merece este apelido.

Se gostou da foto, esquece, o posto de ex futura esposa e vitalício e intransferível.

5 de abr de 2006

Alma De Palhaço

 

Desde ontem penso em palhaços. Bobos da corte e saltimbancos, palhaços do teatro, circo e os que levam riso pros hospitais. Tudo isso porque sabia que diria algo sobre uma amiga/mulher com alma de palhaço, hoje contando com um ano a mais de vida. E quanta vida! É que Creuza tem mil e um palhaços morando em seu picadeiro. Todos distintos, irreverentes, espirituosos. Absolutamente gentis, generosos, super-coloridos. Alguns ela guarda dentro da bolsa, pra poder saca-los a qualquer momento...na sala de aula, no patio da escola, na casa de amigos, no meio da rua. Outros ela deixa em casa em uma caixa cheia de roupas cheias de brilho, cores quentes de gosto inquestionavel, para um palhaço. Quando solicitada, compoe entao seu personagem, nunca o mesmo da vez passada, muito menos igual ao da proxima vez. Nao tem roteiro, nao decora falas, antes de entrar em cena nao faz ideia do que vai fazer...mas arranca riso facil de gregos e troianos, corintianos e sao paulinos, todos se rendem a sua adoravel loucura.

Quando comecei a pensar em palhaços ontem, por causa de um ano a mais de minha amiga, nao fazia ideia de que hoje, contariamos com um palhaço a menos. Morreu Carequinha, palhaço que na TV surgia em preto e branco, embora meus olhos de crianças sempre o vissem em colorido. Posted by Picasa

4 de abr de 2006

3 de abr de 2006

TORNADO!

 

Antes de aqui chegar, a palavra tornado nao causava qualquer impacto em minha vida, a nao ser pelo fato de lamentar o caminho de devastaçoes provocado pelo fenomeno em paises distantes. Me remetia tambem a lembrança de um filme que sequer vi, mas abordou a tematica e levou milhares de pessoas aos cinemas. Tudo muito distante da minha realidade, como parece ser para os americanos um outro fenomeno, tao devastador quanto, que e a violencia desmedida que assola o Brasil.
A primeira vez que tive que lidar com um aspecto que envolve o tema foi na escola infantil onde trabalhava como voluntaria. Aquela epoca, eu ainda estava ensaiando as primeiras palavras em ingles e nao compreendia tudo o que era dito. Muitas vezes conseguia entender o contexto, tamanha e a semelhanca no que diz respeito a pratica pedagogica nas escolas dos dois paises. Porem, um dia, ao ouvir uma sirene que soou tres breves toques, as criancas, seguidas das professoras, se enfileiraram rapidamente e se dirigiram, como pequenos robos, para o corredor, ja repleto de outras pessoas que andavam a passos rapidos rumo ao porao. Ninguem deu uma palavra. Ao chegar no andar de baixo, cada uma das crianças se curvou e deitou o corpo no chao, colocando as maos protegendo a cabeça. Eu nao sabia ao certo o que estava acontecendo, muito menos o que deveria fazer. Para minha sorte, um garotinho que nao passava dos 3 anos começou a chorar assustado e pude ouvir quando sua professora pronunciou a palavra tornado e entao explicou que se tratava apenas de uma pratica. Respirei aliviada. Nem sabia que eles tinham treinamentos mensais obrigatorios como este tambem para incendio e terremoto, cada um com seus diferentes procedimentos. Fiquei sabendo depois que muitas pessoas conseguiram sair ilesas de dentro das torres gemeas no fatidico 11 de setembro porque sabiam exatamente como agir, sem alarde e prontamente, evitando que se atropelassem no caminho.

Este ano, ja corremos duas vezes para o porao da casa da vizinha ao receber aviso de que um tornado estava se dirigindo a cidade. Por pura inexperiencia, tentei ainda trocar de roupa e passar um batonzinho basico antes de sair de casa, mas fui impedida por gritos desesperados dos filhos e amigos, implorando que eu tivesse pressa. Hoje soubemos que o tal tornado matou mais de 30 pessoas em uma cidade proxima, destruindo tudo o que estava pela frente. Possivelmente as vitimas nao tinham abrigo no andar de baixo ou talvez nao tenham dado a devida importancia aos avisos. Fiquei pensando se nao era hora do governo brasileiro estabelecer como obrigatorio nas escolas de nivel fundamental e medio o treinamento preparatorio para assaltos a mao armada, sequestros relampagos e outros fenomenos que , pelo jeito, assim como os tornados na America, estao fora do controle das autoridades. Posted by Picasa

2 de abr de 2006

Para a Turma de Maria Lucia

 


Caros alunos da escola Professora Maria Gondim dos Santos

Estamos a milhas de distância. Mesmo que eu saísse daqui agora, domingo, em um avião para o Brasil, não chegaria aí a tempo para a aula de segunda-feira. Está cada vez mais confuso chegar à Fortaleza saindo aqui de minha cidade no estado do Kentucky, nos Estados Unidos. Mas, felizmente somos privilegiados, podemos ter acesso a tecnologia digital, então nos encontramos na tela de seu computador. Não e incrível?

Isso quer dizer que o mundo está ao alcance de seus dedos e que você faz parte de uma revolução. Nem sempre a gente percebe quando participa de algo assim , principalmente quando lidamos com o novo desde pequenos. Se você não chegou ainda aos vinte anos de idade, já nasceu ao meio do que chamamos avanço tecnológico e nao se assustou com invenções como o celular, os CDs e, claro, os computadores. Para os mais velhos não foi assim tão fácil, pois tiveram que transitar do antigo para o novo e não houve muito tempo para pensar, devido a rapidez do processo. E as coisas nao param por aí, pois a cada dia novos produtos melhores e mais aprimorados estão no mercado, nos convidando a sermos abertos para aprender mais e mais. Na verdade, não é a tecnologia em si que faz a revolução, mas o fato de que, a partir dela, o mundo ficou menor, as pessoas mais próximas, a comunicação mais intensa. Daí de sua sala de aula pode entrar em contato com outros estudantes dos quatro cantos do seu país e do mundo. Pode ler jornais, revistas, reportagens interessantes, bater papo com amigos que nunca viu, pesquisar sobre qualquer tipo de assunto.

Segundo Romeo Garcia, da revista Planeta, no Brasil, calcula-se que somente 5% da população esteja conectada na Web. Isso faz de você alguém especial. E quando a gente sabe ou tem alguma coisa a mais do que a maioria das pessoas, significa que tem também mais responsabilidade para com elas.

Você que hoje pode ler o que escrevo em meu PC do outro lado do mundo, deve manter o olhar para além do horizonte, certo de que o futuro já chegou. Mais que isso, voce é o futuro. Você é a revolução.

Nos encontraremos em junho, mas prometo que será fora da tela.
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1 de abr de 2006

Cidade Pequena



Jornal de cidade pequena e igual em qualquer lugar do mundo, noticia que e bom, so na primeira pagina, o resto e coluna social. Claro que ha uma secçao inteira reservada ao obituario, caso a populacao de idosos seja grande, como aqui em Campbellsville. Tambem ha uma pagina para os classificados, onde sempre se encontram fotos de criancinhas aparentemente adoraveis que estao completando anos. As vezes a iniciativa nao e bem-vinda. Algumas maes, corujas certamente, insistem em publicar fotos de seus filhos quando eram bebes por ocasiao de seu aniversario de 16 ou 21 anos. Claro que o bebe da foto se torna motivo de gozaçao na escola, mas as maes de maneira geral nao desistem, ate recortam o jornal e mandam pros parentes que moram fora, comentam nas reunioes de familia "Voce viu?". Claro que sim, em cidade pequena todo mundo ve.
Assim, se quiser preservar o anonimato, ir a restaurantes sem ser notado, a festinhas, infantis que sejam, ou ate as matines no cinema, melhor procurar por uma cidade cujo jornal tenha pelo menos dois cadernos.
A proposito, e uma delicia ser abordada nas ruas na semana em que voce e descoberto fazendo alguma coisa que mereça uma foto no jornal local. Principalmente quando a criança da foto nao e voce. Posted by Picasa