26 de out de 2006

PaRaBéNs PrA VoCê!



Este ano não vou me pintar de palhaço nem fazer os docinhos. Tampouco me dedicarei a confecção das lembrancinhas com motivo de super-heróis, naves espaciais e coisas do tipo. Sequer vou poder abraçá-lo ou dar um beijo estalado na bochecha, nem chamar toda a turma pra cantar parabéns pra você.
Já faz algum tempo que você não está ao alcance de meus braços e nem cabe mais em meu colo. Agora é você que tem estórias para me contar e, quando nos vemos, me leva para passear, me traz presentes e compartilha seus sonhos.
Mas há algo que não mudou, ainda guardo nos olhos um menino que me encanta pela forma como se lança na vida, pela perspicácia e pelas boas escolhas; a melhor delas, diga-se de passagem, atende pelo nome de Patty.
Sobrinho querido, admiro você!
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15 de out de 2006

Álbum de Lua-de-Mel


Já foi convidado para ver álbum de casal em Lua-de-Mel? Pois bem, não dá outra, fotos dele e fotos dela, nenhuma foto deles, a não ser que um gentil transeunte tenha se oferecido para fotografar o casal. Mas não é sempre que os nubentes escolhem lugares devidamente habitados para passar alguns dias juntos, então é aquela monotonia mesmo o tal álbum. E a gente tem que repetir os comentários, meio que sem graça, pois as fotos acabam revelando uma certa intimidade desconcertante. A paisagem é sempre um detalhe, em primeiríssimo plano estão ali, ele e ela, captados pelas lentes apaixonadas dos pombinhos. Agora, se o álbum é seu é uma delícia folheá-lo, principalmente logo depois de organizado, quando as lembranças estão vivas e você parece que pode sentir o cheiro de cada lugar visitado. A propósito, por mais gentis que sejam os transeuntes que se oferecem para fotografar o casal, eles nem sempre contam com habilidades básicas para tal feito. Mas se a foto não revela o esperado, rende com certeza boas risadas. Posted by Picasa

9 de out de 2006

Fontes, Moedas e Desejos



Um dia vi um catador de moedas, recolhendo das fontes os desejos ali lançados. Por certo o tal homem não acreditava em desejos, caso contrário teria ele mesmo relançado as moedas, todas de uma vez, e voltado pra casa com um sorriso no rosto. Posted by Picasa

8 de out de 2006

Gatlinburg, Tennessee



Semana passada, nas ruas de Gatlinburg, encontrei minha rotina dançando valsa com o inusitado, se deliciando com os prazeres do ócio e se rendendo, finalmente, à sedução da preguiça.  Posted by Picasa

2 de out de 2006

Sedução



Dizem que elas não sabem que vão morrer antes do inverno chegar, mas algo me faz pensar que as folhas de outono se vestem de novas cores na esperança de seduzir os deuses e convencê-los de que não há beleza nas árvores nuas que se oferecem insolentemente ao frio, ao branco e ao cinza.

Picture by Adriana - Soft Pastel-
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1 de out de 2006

As Unhas Postiças da Professora



Não sei até hoje se as unhas dela eram postiças, mas D. Adélia, minha professora de piano, tinha unhas enormes, pintadas de vermelho sangue. Eu tinha pavor das unhas de D. Adélia, especialmente quando ela as colocava sobre minhas mãos, àquela época tão pequenas e pouco ágeis, quando alguma nota não correspondia ao que dizia a partitura. Além disso, quando ela, com uma certa impaciência, procurava mostrar a maneira correta de tocar a música, eu sempre me distraía com o barulho de suas unhas nas teclas, o que me parecia de certa forma uma outra música, quase aterrorizante. Não seria capaz de descrever o rosto de minha professora de piano na época em que tinha sete anos de idade, mas as suas mãos e, claro, aquelas unhas imensas, guardo até hoje na memória.

Desta forma, não foi com naturalidade que me senti impelida a comprar o conjunto de unhas postiças que vi na prateleira de um supermercado dias atrás. Há muito estava incomodada com minhas próprias unhas, castigadas pelo trabalho doméstico e, nos últimos dois meses, sempre em segundo plano, porque em primeiro estiveram sim os planos de aula, o jogos, as pesquisas, as provas, a relação com os alunos da high school em que iniciei o trabalho como professora de espanhol...diga-se de passagem, uma grande aventura. Pois bem, no meio de tudo isso estavam as unhas, todas quebradiças, sem brilho...nada parecidas com as garras de outrora. Cedi a tentação, mas voltei para casa pensando em D. Adélia, temendo causar igual impressão em meus alunos ao colocar as unhas de fora, como se diz no popular.

Na orientação que vinha na caixa das tais unhas postiças foi sugerido algumas poucas gotas de cola por unha. Baseada em experiencias de terceiros resolvi não arriscar, caprichei então na quantidade de cola para não correr o risco de perdê-las. Achei o fim da picada saber que uma insistente coceira no braço significou a perda de três unhas de uma amiga ou ainda que o abrir de uma simples lata de refrigerante ameaçou pelo menos duas de outra.

Porém, no último dia de aula da semana passada, quando comemorava a véspera de um intervalo de duas semanas sem aulas no início do outono, estávamos eu e minhas unhas postiças, lépidas, a encher de arroz as maracas produzidas pelos alunos, indo em suas carteiras, um após o outro. Celebrávamos o mês da herança hispânica e falávamos da cultura dos países em que falam espanhol. Foi quando um aluno me chamou e trouxe entre os dedos o que imaginei serem grãos de arroz que haviam caído no chão. Mas o que ele trazia para mim, com um cuidado ímpar, era na verdade a unha postiça de meu dedo mindinho que caiu desavisada sobre a sua mesa. Depois de superar a sensação do ridículo, seguida de uma incontrolável crise de riso, pude ouvir o fantasma de D. Adélia, com suas unhas vermelho sangue, bolando de rir.

Picture by:

Beverley Ashe
Woman with Red Nails . 8x6 . acrylic on wood
http://www.beverleyashe.com/womanwithrednails.html Posted by Picasa