22 de dez de 2013


Querido Papai Noel

Este ano não vai ter presente; não fui uma boa menina, eu sei. Mas mesmo assim segue esta cartinha, que é  pra não parecer que guardo rancor do ano que passou.

O senhor já se desculpou por não ter trazido o que me prometeu no ultimo Natal. Sei que andou de fato ocupado e que reconhece que fui obediente anos e anos a fio e por isso merecedora de um saco repleto de desejos. Mas a mania de colocar a culpa nas renas, na verdade desta vez não me pareceu muito convincente. Isso é que dá ser metida a boazinha, todo mundo acha que pode usar as desculpas mais esfarrapadas pra justificar seus feitos e mal feitos. 

Porém, como já disse mágoas a parte, este ano, Papai Noel, não tem discussão; vamos direto ao ponto. Na falta de presentes- já disse que sei não merecê-los, me traz um saco bem grande, mas dessa vez cheio de futuros, assim mesmo no plural, que e o que convém as meninas que ainda sonham acordadas.

Sinceramente,

 Adriana


 P.S. Nem precisa embrulhar pra presente, que é pra eu usar assim que acordar.

18 de dez de 2013

RetroPerspectivas






10 Lições aprendidas em 2013 que podem  tornar 2014 um feliz ( ou pelo menos mais promissor) ano novo

 

- Príncipes também se transformam em sapos. O mesmo se aplica as princesas.  Isso pode acontecer da noite pro dia ou vice - versa. Continue acreditando em príncipes e princesas. E em sapos e sapas. São faces da mesma moeda. 

 

- E muito difícil, no auge de uma crise de qualquer ordem, acreditar que aquilo que por ora nos surpreende e nos aflige vai  passar um dia. Mas a verdade e que, sim, tudo passa.  Isso não quer dizer que não vai doer. Mas não dói pra sempre da mesma maneira. Nem no mesmo lugar. 

 

- Tem coisas que só o seu travesseiro deve saber acerca de seus sonhos e também de suas dores. Não necessariamente nesta ordem. Os travesseiros de pena tendem a ser os mais confiáveis. 

 

- Quando tudo parece perdido existe uma grande chance de que de fato isto seja verdade. Acredite em sua intuição, em um amigo leal e, e claro, nos fatos. Estes últimos  são quase sempre muito claros. Os dois primeiros também. 

 

- Em meio a uma crise, por mais violenta que seja, e possível se deixar maravilhar por aquilo que eu chamo de pequenos milagrinhos. Depois da crise, estas coisas costumam crescer, ficar mais evidentes e se tornam pano de fundo de um novo tempo. 

 

- Em plena queda-livre ha sempre o risco do seu paraquedas não abrir. Neste caso, você acaba descobrindo que já sabe voar sozinho. E que gosta disto. 

 

- Quase todo mundo acha que sabe como você deveria reagir em uma determinada situação. Se eu fosse você eu não daria a mínima para isso. Mas definitivamente eu não sou você. 

 

- Você não e o centro do universo; seus problemas são detalhes quando comparados com o resto da humanidade; todo mundo passa por situações difíceis; de tudo se tira uma lição. Você bem que concorda com as premissas acima, mas na hora do “pega pra capar" sente-se como o ultimo sofredor vivo. Esta bem se pensar assim.  Mas não mais que por 24 horas. 48 em casos extremos. 

 

- Dizem que o tempo cura tudo. Mas para isso este tem que encontrar você devidamente ocupado e literalmente sem tempo pra alimentar o problema. Não dê tempo ao tempo. Aproprie-se dele. 

 

- Não faz diferença como você chama ou deixa de chamar a forca que nos rege. Vão existir momentos, breves que sejam, em  que você vai ter certeza de que o melhor ainda esta por vir, mesmo sem ter ideia de como isso vai acontecer ainda.  Então pode chamar isso de fé. O resto também e mistério.

25 de jul de 2013

Dinheiro Fácil


 
 
Há quem diga que dinheiro fácil é aquele que se ganha sem maiores esforços, seja uma herança inesperada ou não, uma troca de favores com direito a um bom emprego vitalício em que não se bate ponto nem na entrada, nem na saída, ou ainda o sonhado prêmio da Mega Sena acumulada, sem ter que dividi-lo com ninguém, nem com outro apostador, muito menos com parentes e/ou amigos financeiramente desamparados, para ser politicamente correta. Porém, há quem garanta que as benesses do tipo quase sempre vem acompanhadas de muitas dores de cabeça e que não há dinheiro no mundo que cure tamanho transtorno. Mesmo sem ter experimentado sensação igual, arrisco um palpite: dinheiro fácil e aquele que a gente ganha fazendo o que gosta.

Não que nos últimos meses eu tenha feito apenas o que gosto. Para sobreviver, até bem pouco tempo atrás, estive exposta a toda sorte de atividades, a ponto de manter em meu carro uma cabine parecida com a do Clark Kent, onde trocava de roupa, de bolsa, de material de trabalho e até de sorriso, antes de pegar a capa e sair voando por ai. Acho inclusive que por isso tenho valorizado mais e mais as atividades atuais, que faço com entusiasmo e prazer a ponto de me pegar pensando que até aceitaria pagar pra dar hora extra. Exageros a parte, quando se faz o que se gosta na área profissional, a sensação é de que o trabalho em si também é parte do pagamento. Mas ninguém falou aqui que está disposto a abrir mão dos rendimentos materiais que nos permitem, entre outras coisas, arcar com as necessidades básicas de qualquer ser humano em nome da paixão pelo que se faz.

Sem essa de dizer que o trabalho vocacionado tem que ser feito de graça ou quase isso. Não conheço ninguém que faz o que gosta que não se ofende com o discurso de chefes de estado ou de empresas que fazem chantagem sentimental do tipo. Até porque nenhuma destas supracitadas criaturas abririam mão de parte sequer de seus fartos rendimentos em nome do prazer. Na verdade, fazer o que se gosta, em qualquer área profissional, deveria ser critério indiscutível pra admissão de candidatos ao emprego. Um currículo recheado de títulos, experiências de todo tipo, viagens e intercâmbios, proficiência em outras línguas, são de fato aspectos incontestáveis na hora de se avaliar o aspirante a vaga. Mas se não gostar do que faz e/ou se simplesmente o faz em nome do salário promissor deveria contar apenas com este último, já que parece ser tudo o que almeja.

Ao contrário, aqueles que fazem o que gostam e o fazem bem, deveriam ser agraciados com alguns benefícios extras além das obrigações empregatícias e da alma repleta de prazer. Pois é disso que se alimenta e explica o espirito e o consequente desempenho de quem faz o que gosta: de sonhos, de novas paisagens e encontros, de um olhar mais demorado sobre as coisas que trazem a marca da diferença e originalidade...

A exemplo do Bolsa Família, que dá direito a comida, transporte, gás e algum dinheiro extra a cidadãos da classe desfavorecida no Brasil por cada filho que frequenta a escola pública- sim, deve ser um esforço sobre-humano convencer nossas crianças e jovens a frequentar um ambiente escolar com tão poucos recursos de toda ordem; um bom sistema público de educação, quem sabe parcialmente financiado com o dinheiro gasto por este próprio programa, já seria em si um convite a participação deles na escola, bem que poderiam criar o Bolsa Deleite. Este programa ofereceria vale viagens culturais, vale educação, diversão e arte com incentivo `a participação em cursos, espetáculos teatrais, cinema, visitas a museus, assinaturas de revistas, acesso a leitura de livros... todos gratuitos, a funcionários que trabalham com amor (e não por amor), incluindo também vale gás, para que nos dias em que a desmotivação batesse de frente, cidadãos apaixonados pelo que fazem, recebessem um combustível extra em forma de pão do espirito para não deixarem de manter a alma devidamente alimentada.

Pois pelo que me consta, alguém que acha que dinheiro fácil é aquele que se ganha fazendo o que gosta, não está livre do pagamento de impostos ou de suas responsabilidades financeiras e pessoais e muito menos disposto a vender a alma cheia de louváveis predicados aos gananciosos de plantão, sob o risco de ficar ao mesmo tempo sem dinheiro e sem credito consigo mesmo.
 
Pictures:"When you cannot make money out of art, you made it become one."