17 de mai de 2006

Insegurança Alimentar...é Grave?

400 Hungry People, by JAO


Esta semana estive apresentando o Brasil para meus pequenos alunos. De vez em quando sou chamada pela universidade e escolas para falar da nossa cultura, música, comida, das nossas cores... mas só do verde, amarelo, azul e branco, não costumo falar da coisa preta, já cantada por Hime e Chico, deixo que a CNN faça isso. Porém há algo pra lá de cinza que sempre menciono pra ver se os americanos aos quais tenho acesso pensam duas vezes antes de jogar tanta comida fora. E isso não pára por aí, todos os dias na escola em que trabalho é o mesmo sermão na hora do lanche, a Ms. Adriana tem que lembrar que há muita fome no mundo, inclusive no Brasil, que por favor eles guardem o resto daquilo que não querem para comer mais tarde, evitando o desperdício. Uma vez, devo ter feito um drama maior que o usual, pois uma aluna do jardim de infância, compadecida, se ofereceu prontamente para ceder o conteúdo de sua lancheira para que eu levasse aos meninos carentes no Brasil. Lá veio ela com uma carinha de piedade , com frutas, biscoitos e uma caixinha de suco na mão, disposta a fazer abstinência naquele dia. Devo ter exagerado, hoje sei que sim. Eu falei em fome, miséria, desgraça, mas descobri que não me expressei direito. Assistindo a Globo internacional dias depois, pude constatar que existem 78 milhões de brasileiros que sofrem falta ou escassez de alimentos e chamaram isso de insegurança alimentar grave (existiria a categoria amena?). Segundo eles, a população com dificuldades de acesso a alimentos, significa 40% do total de habitantes do país. Categorizados desta maneira, não me parece assim tão mal. Pelo que pode-se entender, as pessoas com dificuldades de acesso a alimentos certamente têm algum tipo de problema não identificado que as impedem de alcançar alimentos, por certo disponíveis em algum lugar também não identificado. O problema deixa de ser a impossibilidade de acesso a uma boa escola, a um bom emprego, a uma renda decente e passa a se chamar dificuldade de acesso a alimentos. Culpa da população e seus impedimentos, culpa do alimento, irremediavelmente inacessível. Quero saber onde fica a palavra fome nos relatórios cheios de eufemismos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome ( seria aqui?), que gaba-se por ter enfim, junto ao IBGE, quantificado a desigualdade no Brasil. Mais uma vez devo estar superestimando os problemas no meu país verde e amarelo. Vou tomar mais cuidado com as palavras na próxima palestra. Só não sei como traduzir para o inglês as expressões criadas pelo governo brasileiro em nosso romântico português. No dicionário pragmático do Tio Sam alguém que é privado de comer tem mesmo é fome.

P.S. Espero que não mudem o nome da campanha "Fome Zero" para "Insegurança Alimentar Zero", acho que Betinho não aprovaria.


Image: JAO aka J. A. O'Baoighill
Minneapolis, Minnesota USA

“400 Hungry People”66"x 66"
Mousepad Stamped on Canvas 12-31-2000

Um comentário:

Matheus disse...

driiiiiiiii
ow saudadess!
2 semanasss soh!

o texto da mae tah maravilhoso..parabens pela mae e boadrasta q es...sabe q te amuh neh!

e esse texto aqui..infelizmente eh verdade neh!;(

te amuh

bjoss!