17 de ago de 2008

E por falar em saudade...


Parei de brigar com a saudade quando era ainda uma garota. Cheguei a pensar que depois disso seríamos amigas e viveríamos felizes para sempre, mas isso aconteceu na mesma época em que deixei de acreditar em contos de fadas e então não houve mais jeito. Fizemos portanto um pacto. Viveríamos uma relação de fachada e nos suportaríamos mutuamente em nome da moral e dos bons costumes, como se passa com qualquer príncipe e princesa depois da última página do livro. E, como não poderia deixar de ser, comecei a inventar uma porção de desculpas esfarrapadas para justificar a permanência dela em minha vida. Feliz daquele que sente saudade, pensava eu com uma certa desconfiança, sinal de que se viveu algo significativo que nos mobilzou e agora nos faz falta. Mas esta é apenas a mais clássica. Há uma série de frases feitas que, confesso, acabam ajudando a retomar o rítmo da vida quando a saudade nos coloca em um estado letárgico e nos faz acreditar que nunca mais seremos os mesmos. Mas aí eu tenho até que concordar com ela. Ninguém sai impune depois de lidar com o vazio, mesmo sabendo que se manifesta de maneiras diferentes. Há aqueles vazios temporários, que a gente sabe ou acredita que voltará a ser preenchido mais cedo ou mais tarde e há aqueles que são do tipo mais profundo, onde se está certo de que nada pode preenchê-lo, pelo menos não com o que conhecemos a princípio. Mas seja qual for o tipo de saudade que se venha a sentir, daquelas que passam rapidinho, as que duram para sempre ou, ainda, aquelas do pior tipo, quando a gente nem viveu ainda a perda, mas já antecipa a dor, cabe a você decidir como vai reagir ao tal sentimento que faz doer mais do que qualquer outro. Se a gente ocupar o vazio com os próprios sonhos, vai descobrir que, apesar das lembranças do que se viveu e da dor por isso não estar mais acessível, o melhor é parar de olhar pra dentro, pra profundidade do vazio, e buscar onde fica a montanha que se formou com o que foi retirado do buraco que surgiu na alma. Lá do topo, o mundo vai parecer muito mais fascinante. Posted by Picasa

4 comentários:

Ana disse...

Irmã, vem e vai a saudade bate e, até, surra a gente. Como evitar o vazio? Impossível, mas tentar preenche-lo será sempre a nossa meta. É como se ficássemos enchendo um saco com um buraco, pois na hora que paramos, o saco está vazio outra vez e nós somos engolidas neste espaço sem fim.
Beijos,
Mana

Touso disse...

Oi querida, como é linda sua essa (e todas as demais) crônica. E por falar nessa maldita(ou bendita) hoje pela manhã ouvi uma música cantada pelo Jair Rodrigues, Orgulho de um Sambista,( Você falou que junto comigo não mais desfilava, se a minha escola..,), lembra? Me bateu uma "saüdade" que me levou às lágrimas. Comentei com minha Nega. Parabéns. Amo vc!

Cristina Souto disse...

Essa crônica é simplesmente perfeita. Com certeza, a saudade possui várias facetas. Tanto nos faz sorrir como chorar. Então, como devemos conviver com ela? E aí você define, de forma inteligente, as opções que podemos lidar com essa emoção que se chama SAUDADE.

Bjs

Dulcilene disse...

Muito reconfortante ler o que você escreveu. Eu sei que a saudade vai chegar e vai partir, vai chegar e vai partir.... Estou tentando viver um dia de cada vez, dias alegres e dias tristes vão sendo preenchidos com o que me identifico, o amor a minha profissão, os amigos, o carinhos dos entes queridos, mas a saudade vai e volta, por mais alto que eu chegue ao topo da montanha olho para o infinito e vejo os dois abraçadinhos sorrindo pra mim e a vontade e de correr, abraçá-los e dizer: Vão em paz! Mas ainda não consigo. O tempo me fará subir várias vezes a montanha até o dia em que me libertarei dos dois.O tempo.... que as vezes demora a passar.
Obrigada amiga!!