31 de out de 2007

Do Rebouças


Dizem que ela fatalmente aparece, mas desde que os deslizamentos começaram, a tal luz no fim do túnel não deu ainda sinal de vida. Na pressa, eu não trouxe lanterna, vela, isqueiro nem bússola... Deixei em casa o GPS e em algum outro lugar um monte de coragem que costumava usar em momentos como esse. Óbvio que o celular ficou na outra bolsa, como sempre. Não sei quanto tempo ainda tenho a tatear os muros convexos dessa escuridão, mas quem se importa com o relógio em uma horas dessas?

Decidi, portanto, que estaria interditada até que a chuva desse uma trégua e, pelo barulho, parece que não é pra hoje. Então não tenho mais pressa, já aprendi que, quando não se sabe para onde ir, o segredo é andar pra frente até, com esperança, se deparar com algo que, se não for a luz desejada, quem sabe é uma daquelas pedrinhas que, num tropeço, acaba nos lançando alguns metros pra frente.

Arrisco dizer que tenho gostado de brincar de não ter medo do escuro, meus monstrinhos de estimação até parecem mais mansos quando não posso vê-los. Claro que eles vieram todos, como não? Continuo a colecioná-los e a guardá-los nas estantes do meu lado B, de boba.

Já disse que ninguém precisa vir me resgatar, mas se insistirem, observem a placa na entrada, solicitando faróis baixos, que é pra não estragar minha nova mania de pensar no escuro.
Posted by Picasa

3 comentários:

Moldura disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Moldura disse...

A delicadeza poética e verdade de crônicas como esta, só reforçam as melhores impressões que alimento sobre tua veia literária e sabedoria...construída por ti e por nós num apagar e acender de luzes por vezes intermitente. Sigamos com as velas e pilhas de que dispomos.

César Moreira

estrangeira disse...

Que bom ouvir tua voz novamente por aqui.
Amo voce em todas as estacoes!
Beijo de Feliz 2008, que ele seja generoso conosco.